Assim como os rastros e pegadas dos répteis permitem a identificação de espécies e a compreensão da evolução, assumimos os/as nossos/as répteis como uma constelação de criadores que nos guiam pelo mundo atual numa viagem de consciência de todos/as, despertando para a importância de uma série de experiências que fomentam seres mais sensiveis e com sentido crítico.
Nomeamos de répteis os/as artistas emergentes associados/as que desenvolvem a sua pesquisa e trabalho no campo das artes performativas, contribuindo para o reforço da teia artística e cultural em Portugal.
ESPÉCIES:
Margarida Montenÿ
Margarida Montenÿ (1999, Faro) é acrobata aérea e performer. Procura uma abordagem transdisciplinar na sua pesquisa e prática coreográfica, as suas criações caracterizam-se por modelos e dispositivos de questionamento do espaço e interação passiva da audiência para com as performances, trabalhando sobretudo sobre estados de intimidade, força e vulnerabilidade. Cria em 2023 “BLUE”, uma coprodução Mostra Estufa – Teatro Municipal do Porto e Companhia Erva Daninha, e em 2022 “Simulacro” em parceria com Carminda Soares, uma coprodução Instável – Centro Coreográfico / Teatro Municipal do Porto e Teatro das Figuras. Além do seu trabalho autoral, tem colaborado enquanto intérprete para artistas e companhias de diferentes áreas, destacando entre eles: Ballet Contemporâneo do Norte e Orquestra Filarmónica Portuguesa, Miguel Pereira, Companhia Erva Daninha, Circo Caótico, Vanda R Rodrigues/Antípoda, entre outros. Encontra-se neste momento em criação para “Clamor”, projeto apoiado com bolsa de criação Outdoor Arts Portugal, em coprodução com LEME/23 Milhas (Ílhavo) e Casa Varela (Pombal) e Teatro Virgínia (Torres Novas), com estreia em Dezembro de 2025 abordando temas em torno de identidade, memória, tradição e património. Formada na Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo – Chapitô, utiliza uma abordagem transdisciplinar na investigação do movimento e da linguagem, defendendo uma visão ampla do que pode ser circo.
Daniel Seabra
Natural do Porto (1993). É um dos mais importantes nomes da nova vaga do circo contemporâneo em Portugal. Apaixonou-se pela magia do circo em criança, e passou os anos seguintes a aprender como transformar em linguagem circense a ginástica acrobática que já praticava. Em 2010, com 16 anos, iniciou o seu percurso artístico no Chapitô, especializando-se em acrobacia aérea. Aluno de mérito durante três anos consecutivos, ganhou a bolsa Talento Nacional – BES 2013 e venceu a primeira edição do Prémio Jovens Artistas Coliseu Porto Ageas – Artes Circenses. Trabalhou como aerealista para a Disney on Ice, Royal Circus, Cirque Pinder, entre outros. Colaborou com diferentes companhias, entre as quais La Fura dels Baus, Companhia da Esquina, Teatro Experimental do Porto, Teatro Cão Solteiro, Erva Daninha, e em nome próprio. Em 2020, foi convidado a integrar o elenco do Circo de Natal do Coliseu Porto Ageas, com um número vertiginoso de dança acrobática. No mesmo ano, criou a sua própria companhia, Circo Caótico.
Mara Nunes
Natural de Águeda. É actriz e cantora-compositora. Completou o Diploma de Canto Clássico no Conservatório de Coimbra e no Conservatório Nacional de Lisboa (2013-2016) e formou-se em Teatro Musical pela The MTA London (2017/2019) em Londres, onde viveu 5 anos até 2021. Estreou-se profissionalmente no musical “RENT” no Shaw Theatre em King’s Cross (2019). Ainda em Londres, trabalhou com a Yellow Coat Theatre Company e com a C-12 Dance Theatre Company. Atualmente vive em Portugal, e tem colaborado como compositora e intérprete com Réptil Artes Performativas. Compositora Instrumental e Direção de Vozes de “JOY – collective practices for pleasure” de Alice Joana Gonçalves. No seu projeto a solo, lançou um EP, “NATIVE” (2020), e um disco “ELA” (2022), onde foi nomeada finalista para o Prémio Jovem Criador de Aveiro 2022 com um dos temas ue se encontra em exposição no Museu de Santa Joana em Aveiro.
Fernando Nogueira
Natural do Brasil (26 anos). É artista de circo, criador, ator, roteirista e produtor cultural. Formando em técnicas de crico, com especialidade em acrobacias aéreas, pelo CAJUV (2018, São Paulo); em Mastro Chinês pelo INAC – Instituto Nacional de Artes do Circo (2023); e em Interpretação e Roteirização pela ENTECO – Escola Nacional de Teatro e Comunicação (2017). Estudou também teatro físico sob a mentoria de Lois Louis. Representado no Festival internacional de circo “La Nuit de Cirque”, Imaginarius e Mundo ao Contrário, com o seu espetáculo “Rastros”. Foi bolseiro do Festival “Novos Ventos” com a sua criação “ECO”, cocriador do projeto premiado pelo Iniciativa em Rede “Obras Sobreportas”, e cocriador do projeto “Estações Efémeras” do Leirena Teatro. Em 2018, venceu os prémios PROAC 07 e PROAC/FUNARTE com a sua primeira criação “Através”. Participou em vários festivais de circo, destacando o Festival Internacional de Circo do Sesc, Festival Internacional de Circo (FIC) e Festival de Circo de São Paulo. Como intérprete, destaca a participação no espetáculo “Rayo, Raio, Bean” de Jorge Albuerne e “Forma” orientado por Roberto Magro, Alessio Rouco e Jorge Lix.
Beatriz Mira & Tiago Barreiros
Beatriz Mira e Tiago Barreiros, bailarinos profissionais e coreógrafos emergentes, formam uma dupla coreográfica marcada pela criação do dueto CORRENTE. Esta peça surge em residência nas instalações da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo e apresenta-se com uma primeira abordagem em Viseu, no Festival Lugar Futuro 2021, sendo posteriormente acolhida no repertório da CPBC e tendo estreado em Fevereiro de 2022. Nesse mesmo ano, tiveram a sua estreia internacional no RIDCC 2022 em Roterdão, onde receberam o reconhecimento do Partner Award do Het Nationale Ballet.
